Entrevista com Priscilla Brasil

Para matéria feita para um projeto de faculdade entrevistei por e-mail a cineasta paraense Priscilla Brasil, que está por trás do documentário As Filhas da Chiquita e do clipe A Vela do Madame Satã. A revista para a qual a matéria foi produzida ainda vai sair, espero, mas por enquanto deixo aqui a entrevista completa.

David Mendes - Como foi a tua aproximação ao cinema?

Priscilla Brasil - Sempre quis fazer filmes, desde criança. Infelizmente não tinha como estudar isso em Belém, e eu tinha 15 anos quando fiz vestibular (muito pouco pra morar sozinha em outra cidade). Fiz arquitetura, mas sempre com a cabeça de sair daquilo. Um dia, fui atrás de um estagio de produção para TVs estrangeiras e, de repente, passei um tempo trabalhando com isso. Não teve mais volta pra arquitetura. Fui fazer publicidade e depois me mudei pro Rio pra estudar audiovisual (na FGV e na PUC).

D.M. - O que mais te atrai documentário ou ficção? Por quê?

P.B. - Ainda estou buscando aperfeiçoar meu olhar sobre a realidade. Ela é viva e incontrolável. Adoro isso. Mas, ao mesmo tempo, me vejo pensando em narrativas ficcionais. Estou começando a brincar com isso nos videoclipes e tenho gostado do resultado (até agora um misto de ficção e realidade). Vamos ver, acho que em 2009 sai uma ficçaozinha. Mas nunca deixando a realidade de lado...

D.M. - Quando foi o teu primeiro contato com a obra do Luxardo? Ele é uma inspiração / referência? Com quais cineastas tu te identificas? Por quê?

P.B. - Bastante tardio, o meu contato. Já tinha uns 20 anos. Nunca fui cinéfila (e não sou até hoje). Fico impressionada com os registros, acho lindo certos planos que ele fez. Ele é uma inspiração, pois não consigo nem imaginar o que era filmar aqui na década de 50. Se hoje ainda é impossível, o que ele fez foi um trabalho hercúleo. Pensando assim, os problemas que passamos hoje pra produzir ficam pequenos, muito pequenos.

Identifico-me com os novos modelos de produção, com a coisa menor, mais alternativa em termos de composição de set. Em termos de narrativa, gosto do olhar do Paulo Thomas Anderson, do Lars Von Triers e da loucura do Wes Anderson.

D.M. - Como tu avalias o cenário local atual nos quesitos divulgação, financiamento / patrocínio / apoio, distribuição e locais para exibição?

P.B. - Ainda meio amalucado, mas dando sinais de grande melhora. Não fiquei sabendo do edital que lançaram pra curtas! Ninguém da minha equipe sabia e nós andamos produzindo bastante por aqui... Acho que faltou divulgação. Torço imensamente para que saiam filmes bons. Distribuição? Acho que só o Chiquita teve distribuição nacional, isso porque foi ajudado pela causa gay... É dificílimo, complicado, quase impossível. Precisamos de uma sala publica de exibição digital urgente, pois quase toda a produção local está saindo com cópias digitais e não temos onde exibi-los. 

D.M. - Quais são as maiores dificuldades em se fazer cinema na Amazônia? E o que tu consideras uma vantagem? 

P.B. - Só vantagem. Dificuldade de deslocamento (muito caro!) e todos os perigos do interior... Mas só vejo vantagens, tanto que voltei pra cá depois de um bom tempo no Rio.

1 comentários:

Thaiane disse...
8 de março de 2009 às 16:58

Tô adoando esse blog. Muito informativo, não conheço o trabalho da Priscilla, mas fiquei interessada.

:*

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